CLT ou empreender: aprender a decidir sem romantizar
Em algum momento da vida adulta, quase todo mundo se pergunta:
“Será que eu continuo no emprego ou tento algo meu?”
A dúvida aparece do nada.
Às vezes depois de um dia cansativo.
Às vezes depois de ver alguém “vencendo” na internet.
Às vezes depois de receber o salário e perceber que ele não estica.
Não é ambição vazia.
É sobrevivência emocional.
Durante muito tempo, venderam duas histórias opostas.
De um lado, o CLT como prisão.
Do outro, o empreendedor como herói.
Nenhuma das duas é totalmente verdade.
O trabalho com carteira assinada oferece algo que muita gente subestima: previsibilidade.
Salário certo.
Benefícios.
Rotina definida.
Menos risco imediato.
Para quem precisa ajudar a família, pagar contas fixas ou simplesmente dormir tranquilo, isso não é pouco.
É base.
Ao mesmo tempo, para algumas pessoas, essa mesma previsibilidade vira sufoco.
Repetição.
Pouca autonomia.
Sensação de estar sempre trabalhando para o sonho de outra pessoa.
Não é ingratidão.
É inquietação.
Já o empreendedorismo costuma ser vendido como liberdade.
Horário flexível.
Ganhos ilimitados.
Ser “seu próprio chefe”.
Na prática, é outra coisa.
É instabilidade.
É insegurança.
É trabalhar mais do que antes, principalmente no começo.
É dormir pensando em boleto e acordar pensando em venda.
Empreender não é fugir do trabalho.
É trocar um tipo de pressão por outro.
O problema é que muita gente decide baseada em ilusão.
Ou foge do CLT porque está cansado.
Ou entra no empreendedorismo porque viu um vídeo motivacional.
Sem se perguntar:
“Eu aguento instabilidade?”
“Eu preciso de segurança agora?”
“Meu momento permite arriscar?”
“Eu tenho reserva?”
“Eu tenho disciplina?”
Decidir bem não é escolher o que parece mais bonito.
É escolher o que sustenta sua vida hoje.
Tem fases em que o CLT é sabedoria.
Organizar a vida.
Criar base.
Respirar.
Tem fases em que empreender é coragem.
Arriscar.
Testar.
Aprender errando.
E tem fases em que dá para fazer os dois.
Trabalhar registrado.
Construir algo aos poucos.
Sem loucura.
Sem salto no escuro.
Silenciosamente.
Não existe escolha superior.
Existe escolha consciente.
Quem romantiza demais o empreendedorismo ignora o cansaço, a solidão e a incerteza.
Quem despreza o CLT ignora a dignidade, a estabilidade e o esforço honesto.
Os dois exigem responsabilidade.
A pergunta certa não é:
“Qual é melhor?”
É:
“Qual combina com meu agora?”
Talvez hoje você precise de segurança.
Talvez amanhã precise de autonomia.
Talvez esteja no meio do caminho.
E tudo bem.
A vida não é linha reta.
É ajuste.
É tentativa.
É correção de rota.
Saber decidir entre CLT e empreender não é sobre status.
É sobre autoconsciência.
Sobre entender seus limites.
Seus sonhos.
Seu momento.
E respeitar isso.
No fim, o sucesso não é sair do CLT.
Nem abrir empresa.
É conseguir viver com menos medo.
Com mais equilíbrio.
E com dignidade.
Do jeito que dá.

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