Viver com o dinheiro contado (e mesmo assim continuar sonhando)
Tem gente que fala de dinheiro como se fosse planilha.
Eu falo como quem olha a conta antes de dormir.
Como quem abre o aplicativo do banco e respira fundo antes.
Como quem já fez conta de cabeça no mercado.
Viver com o dinheiro contado não é só ganhar pouco.
É viver calculando.
É saber quanto pode gastar no lanche.
É escolher o shampoo pelo preço.
É pensar duas vezes antes de aceitar um convite.
“Vou ver e te aviso.”
Mas já sabendo que provavelmente não vai.
Você até tem dinheiro.
Mas não pode gastar.
Porque ele já tem dono.
Aluguel.
Conta.
Cartão.
Internet.
Passagem.
Vida.
A gente vira especialista em sobrevivência.
Promoção.
Cupom.
Parcela sem juros.
Cashback.
Sabe tudo.
Só não sabe relaxar.
Tem dias que cansa mais do que trabalhar.
Cansa pensar.
Cansa prever.
Cansa se organizar pra não faltar.
E mesmo assim, a gente sonha.
Quer viajar.
Quer melhorar.
Quer respirar com mais calma.
Mesmo contando moeda.
Mesmo fazendo malabarismo.
Às vezes bate vergonha.
De recusar rolê.
De dizer “não dá”.
De explicar demais.
Como se fosse culpa.
Não é.
É contexto.
Ninguém escolhe viver apertado.
Mas muita gente vive.
Quieto.
Digno.
Tentando.
E ainda assim, tem riso.
Tem meme.
Tem piada interna.
Tem esperança.
Porque se não rir, pesa.
Talvez um dia sobre.
Talvez aperte menos.
Talvez.
Por enquanto, a gente segue.
Fazendo o melhor com o que tem.
Sem romantizar.
Sem se diminuir.
Só vivendo.
Do jeito que dá.

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