Enquanto a cidade festeja, muita gente só trabalha

 


Enquanto uns pulam, outros só seguem trabalhando

Chega Carnaval.

A rua muda.
A cidade muda.
O clima muda.

E muita gente… não.

Enquanto uns escolhem fantasia,
outros escolhem uniforme.

Enquanto uns acordam tarde,
outros batem ponto cedo.

Enquanto uns descansam,
outros seguem.

E não é reclamação.

É constatação.

Tem gente que trabalha em escala.
Tem gente que trabalha em feriado.
Tem gente que não tem “folga prolongada”.

Tem gente que só troca o dia.

O problema não é perder o Carnaval.

É nunca ter pausa.

É emendar semana em semana.
É viver cansado como estado normal.
É achar que descanso é luxo.

A gente aprendeu a normalizar.

“É assim mesmo.”
“Faz parte.”
“Depois melhora.”

Depois quase nunca melhora.

O corpo sente.

A mente sente.

Mas a gente continua.

Porque precisa.

E ainda tem que fingir animação.

“Bom feriado pra você!”
“Curte bastante!”

Enquanto conta quantas horas faltam pro fim do turno.

Não é inveja.

É cansaço acumulado.

Descansar não é preguiça.

É necessidade.

É direito.

É sobrevivência emocional.

Talvez você esteja lendo isso no intervalo.

Talvez no ônibus.

Talvez antes de dormir.

Talvez exausto.

Se for o caso, saiba:

Você não é fraco.
Você não é ingrato.
Você não é menos.

Você só está cansado.

E merece pausa.

Mesmo que o mundo não pare.

Mesmo que o sistema não facilite.

Mesmo que ninguém veja.

A gente segue.

Mas também precisa respirar.

Nem que seja um pouco.

Do jeito que dá.

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